vó cecília

20 anos

vó cecília

um aperto no peito faz uns dias já e eu não entendia o que estava acontecendo. Eis que cai a ficha… segunda dia 24 são 20 anos sem o zig zag da máquina de tricot, 20 anos que ouvir algumas músicas deixou de ser prazer para ser saudade.

Queria conversar com ela, como não dá….

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Oi Vó,

Tanta coisa para contar Vó, tanta coisa que queria ter tido a oportunidade de te ver orgulhosa (ok, um monte de bronca também viria, mas aprendi que na vida nem tudo são flores). Então Vó, larguei a FEI e fui para o Mackenzie – nos veríamos mais, era pertinho da sua casa – mas também não fui até o final, fui fazer computação – esse negócio ia dar futuro. Essa eu fiz direitinho e terminei mesmo desiludido. O fato Vó, é que não era isso que eu queria e depois de velho (só eu, você não) voltei para a faculdade e fui atrás de algo que eu realmente gostava e cursei gastronomia – foram os dois anos mais rápidos da minha vida, mas pisquei e já tinha acabado. Agora estou lutando para fazer esse sonho virar realidade (sim, ainda sou meio sonhador – bem menos, mas sonhador sempre).

Então vó, um pouco antes de completar 10 anos que você foi embora, eu casei com a Flávia. Ah… esqueci de falar que sua bisneta mais velha nasceu dois anos antes – mais ou menos no mesmo dia que conheci a Flávia, mas ela só chegou em casa 5 anos e meio depois. Ela é famosa aqui no facebook pq eu vivo falando dela e das tiradas que ela tem. Sabe todos os meus defeitos? Então, eles passam por osmose, pois mesmo sem ter minha genética, essa pirralha herdou todos eles. Queria um pouco da sua sabedoria para contornar isso, um dia eu aprendo. Semana que vem ela faz 12 anos. Queria muito que vocês tivessem se conhecido e que ela tivesse algumas malhas de tricô feitas no quartinho da sua casa. Uma coisa que me conforta é que quando eu me senti desafiado, comecei a estudar muitas coisas por conta própria. Tenho certeza que ela vai fazer isso em breve.

Ano passado fomos levar a pirralha (eu chamo a Giovanna assim de vez em quando) para Disney e mesmo sem ter ido a Busch Gardens, não consegui não lembrar daquela sua foto com os pássaros de quando o tio Bento levou você para lá, pouco depois que o vô Adauto se foi. Aliás, ele ficaria orgulhoso dos ensinamentos futebolísticos que passei para os bisnetos (netos do meu pai). Todos eles devidamente uniformizados desde pequenos e apesar de alguns maus elementos no meio do caminho, os três tiveram a liberdade de escolher entre o São Paulo, o Tricolor do Morumbi ou o Mais Querido. Levei a Gi em 2 jogos, mas ela achou o estádio barulhento.

Já estava esquecendo de falar que em janeiro eu fui para o Guarujá e fui comprar pão na Estrada de Pernambuco, naquela padaria que íamos quando eu tinha uns 5/6 anos. O Guarujá mudou um pouco. Nossa praia não tem mais rampas, a areia está na altura da mureta, mas sua casa tá lá ainda, passei na porta antes de vir embora. Ah.. o Jardim Virginia ainda tem algumas ruas de areia, mas o asfalto tá chegando.

Lembro até hoje daquela quinta-feira. Foi uma semana esquisita, mas aquele dia foi esquisito. Lembro que perdi a hora e fui de carro para FEI (foi a primeira vez que não fui de ônibus). Meus pais já não deixavam mais a gente visitar você, sabíamos que era uma questão de tempo, mas o tempo que meus pais ficaram no hospital aquele dia, não era normal. Era umas 19:30/20:00 quando ouvi o barulho do freio do seu carro na porta de casa…. antes de ver minha mãe entrando eu já sabia que tínhamos perdido você e só ficou saudade.

um beijo com muitas saudades.

Ricardo
vó cecília