Estenda a mão você também.
Quando fui convidado pelo Agência Click para participar de uma ação da ABTO, fiz uma busca no google e senti uma felicidade imensa da oportunidade, ABTO é a abreviação de Associação Brasileira de Transplante de Órgãos. Era mais uma oportunidade que a vida me dava para agradecer.
Comentei então com o Biso e o Gui Jotapê que eu era neto de uma transplantada e
que participaria da ação com muito prazer e se possível com mais de um blog / texto. A ação que conta com apoio do Estadão e da Novartis chama-se "estenda a mão para essa causa" e consistia em uma doação de posts entre blogueiros e nos foi apresentada em um evento com a presença da diretoria da ABTO. Após a apresentação oficial do evento e o discurso do dr. Valter Duro Garcia – o presidente da ABTO – o Jotapê veio me perguntar se eu me importava em falar sobre o "meu caso". Apesar da dificuldade em falar na minha avó sem desabar, é claro que eu encarei, seria mais uma oportunidade de agradecer. E agradeci contando que minha avó tinha sofrido um transplante de rins no ano de 1971 e que graças a um transplante e principalmente graças a sua irmã Dora,eu tive uma avó. O caso todo foi relatado no post que eu dooei para a ABTO e que foi publicado no Amalgama.
O fato é que desde que nasci, nunca fui educado sobre doação de órgãos, era algo tão natural em nossa família falar sobre transplante, que nunca houve uma conversa, nunca houve uma indicação de meus pais sobre o assunto, porém a cada membro da família que falecia, ao menos as córneas eram doadas.
Eu nunca tinha tido contato com a decisão sobre doação de órgãos, até que por volta dos meus 25 anos fui tirar uma segunda via da carteira de identidade e a atendente do poupatempo me perguntou: "É doador de órgãos?" e minha resposta, mesmo sem nunca ter pensado no assunto foi "CLARO", para espanto da atendente. Ela me disse que meu gesto era bonito, que "a cada 10, um ou dois dizem que são, mas pensam muito antes de responder". Isso foi em um tempo em que a bancada religiosa dos nossos governantes ainda não tinham tirado essa frase de nossos documentos de identidade. Lembro que era um dia de manhã e liguei do orelhão para o escritório dizendo que já estava com o documento, mas que iria doar sangue antes de ir trabalhar, mais uma vez eu precisava agradecer.
Sangue doado, eu com pressa de ir para o escritório e a recepcionista do Pro Sangue do HC (Hospital das Clínicas aqui em São Paulo) me obrigando a tomar um lanche e me dando um papel. O papel era um atestado que me permitia não trabalhar aquele dia. "PUTAQUEPARIU (me perdõem o palavrão), neguinho mesmo podendo cabular o trabalho não vem doar sangue?".. a moça riu e disse "-não, é raro alguém vir como você veio, sem ter parente no hospital". Ainda bem que vivemos hoje em outros tempos e os bancos de sangue estão abarrotados de sangue (sacaram a ironia??) !!! Eu mesmo, estou devedor nessa jornada. Esse ano ainda não dooei, seja por falta de lembrança, de tempo, por preguiça… não importa… estou devedor no meu agradecimento eterno.
Voltando à doação de órgãos, infelizmente não podemos mais decidir sobre o futuro dos nossos restos mortais e infelizmente a decisão do meu agradecimento final, não será minha e sim de meus familiares. Quando morremos, a decisão de doação é de nossos conjuges, pais, filhos (parentes diretos) ou representantes legais, por esse motivo é muito importante que conversemos àquela conversa que nunca foi necessária na minha família. Digam para seus parentes que você, caso seja mesmo, é um doador de órgãos e tecidos. Peçam aos seus, que respeitem seu desejos. Um paciente com morte cerebral, pode salvar até 7 vidas e ter a graditão eterna de um número incontável de outras vidas.
Esse post é mais um agradecimento pelos 19 anos de avó que eu tive. E esse post é o que o Minas de ouro me doou.
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Ela chegou dia 10 de fevereiro de 2006. Fomos até Santo André buscar aquela filhote mestiça de “Pastor de Shetland”. Quando o dono do pet shop onde ela estava abrigada chegou com ela no colo, vimos uma cadela grande para nossas espectativas, mas que com um olhar cativante não nos permitiu deixá-la lá. No dia seguinte chegou o porpeta bonachão Leo.























