Acabei de saber que a avó do meu amigo Daniel Becher não resistiu a uma doença e faleceu ontem, faltando 10 minutos para o ano novo. Imediatamente me lembrei da minha avó, a vó Cecília.
No início do mês de dezembro faleceu a irmã dela. A irmã que justamente propiciou ao marido, aos 5 filhos e 7 netos da d. Cecilia esses 22 anos de convívio a mais.
Em 1970 minha avó precisou de um transplante de rim e foi a Tia Dora quem doou um dos seus, para que nós tivéssemos a querida vó Cecília por mais esse tempo.
A sensação de saudade que sinto nesse momento, da minha avó, imagino eu, está aflorada com a expectativa de passar a minha única semana de férias, com a minha filha, para a mesma rua onde passei todas as férias da minha infância. A rua da casa da Vó Cecília no Guarujá.
Desde 1996, quando nos desfizemos da casa dela, não volto ao Guarujá e principalmente para a rua onde toda família se reunia nas casas da vovó, da Tia Dora e do Tio Bento (irmão do meu pai).
O Becher disse que gostaria de escrever sobre a avó, mas que não consegue. Eu o entendo e peço desculpas de roubar a dor dele e transformar na minha saudade, mas confesso que foi muito mais forte do que eu.
Amigo, sei que sua dor está forte, mas ela passa.
A saudade fica.
A saudade ficará para sempre.
A saudade fica quando toda vez que escuto o Adágio de Albinoni ou Caruso com o Pavarotti.
A saudade fica quando algum dos netos casa ou tem filho e nós relembramos da vovó.
A saudade fica quando eu penso que vou rever a casa onde passei tantas e tantas férias, indo comprar pão de cará com ela na padaria na avenida, ou indo ao supermercado no Tortuga.
A saudade fica, mas a saudade é boa. Não guardo a lembrança dela sofrendo no seus últimos dias de vida e é isso que eu desejo para você.
grande abraço, com muitas lágrimas no rosto, de um neto saudoso do colo da sua avó.
R.M.


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Oi Cobra. Só hoje cedinho, depois de décadas sem reparar nos links recebidos do WP, é que vi o teu link e o post. E parece que foi providencial, porque hoje acho que é o dia em que mais eu estou sentindo saudades dela.
Eu havia visto hoje cedo o link e deixei pra responder agora, voltando da empresa, onde fui pedir minha demissão. Antes de chegar aqui, a cinco minutos atrás, passei na frente da casa dela (que fica exatamente na minha rua, uns 40 metros do meu prédio) e me deu uma saudade tão grande, mas tão grande, que eu estacionei na frente da velha casa de madeira e conversei um pouco com ela, na expectativa que ela pudesse me ouvir.
Ela me apoiava em tudo, e tudo o que fazia era pro meu bem. Tudo eu falava pra ela, tudo eu contava, e ela a mesma coisa. Éramos mãe e filho, não só na palavra, até porque ela ajudou a me criar até certa idade. E era assim que ela me chamava, de filho.
No momento em que escrevo este comentário, também choro um pouco… choro a ausência dela, choro a vontade de compartilhar o que estou vivendo com a dona Dilma, enfim, choro uma mãe que eu perdi e que sei que não volta mais.
Mas como tu falas no texto, vai amenizar a dor com o passar do tempo. E em tempo te agradeço pelas palavras, tardiamente (e peço desculpas por isso), mas que só hoje tiveram um significado tão grande pra mim, no momento em que a saudade está mais aflorada… e o desejo de que ela estivesse aqui é maior que nunca.
Um grande abraço, meu querido amigo! E obrigado pelo conforto que me proporcionas agora.